domingo, 2 de agosto de 2009

Hoje falamos de: Zeca Afonso

Venham mais cinco
Duma assentada
que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá
.......
Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que já é tempo
D´embalar a trouxa
E zarpar

Admito que, actualmente, poucos jovens na faixa etária dos 13 aos 35 ouçam Zeca Afonso.
No entanto, este homem que hoje faria 80 anos, marcou durante mais de duas décadas, não só a juventude, mas principalmente esta, com as canções que compunha ou que, simplesmente, interpretava.
Era, com alguns cantores seus contemporâneos, aquela voz que, em consequência da forte censura vigente, que ele tentava ludibriar, com jogos de palavras, chegava aos ouvidos de muitos portugueses, quase sempre de forma furtiva e clandestina, e os despertava para a realidade do Portugal de então.
Muito já se escrevia, na altura, contra a ausência de liberdades, sobre a miséria e atraso crónicos deste país, mas fazê-lo cantando tem outra eficácia e uma maior abrangência.
Como disse alguém, noutro contexto, “cantar é rezar duas vezes”.
Assim fez o Zeca. Cantando multiplicou o alcance da sua “doutrina”. A doutrina que nos conduziu à democracia de que, tranquilamente hoje usufruímos e, por vezes, malbaratamos.
Estaremos nós a merecer Zeca Afonso?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Hoje falamos de: Como se fosse na Madeira


Litério Marques diz uns desconchavos e logo os nossos semanários os aproveitam para lhes dar destaque como se fossem as reflexões mais profundas e sensatas, alguma vez proferidas pelo ser humano, não se limitando a noticiá-las como é sua obrigação. Colocam-no a ele e a elas em lugar de destaque, onde só deveria estar gente que o merecesse. Esta furtiva atitude de simpatia, só terá, provavelmente, paralelo na imprensa controlada por AJJ.
Elogiam-no, quando deviam criticá-lo pelo desconhecimento que demonstra da lei, quando afirma “… andam aí com um paleio tosco para legalizar os poços”. (in JB). Ora, se ele conhecesse a lei como é sua obrigação, saberia que não se exige a legalização ou sequer a declaração de todos os poços, mas, apenas, de alguns com maior caudal de extracção. Por outro lado, “tosco” e insensato é o “paleio” de quem não reconhece que é, agora, que se previne o futuro e só conhecendo-os se podem proteger os recursos hídricos deste concelho. Não esqueçamos que especialistas já alertam para a possibilidade de uma forte redução da quantidade de água potável, em Portugal, dentro de 10 a 15 anos.
Deviam criticá-lo, mas elogiam-no pelas suas próprias contradições e ignorância, quando diz, no mesmo jornal, ”...deviam é preservar e proteger esses buracos” e “é urgente implementar mecanismos para preservar os poços…”. Claro! Mas para isso é preciso localizá-los e saber a quem pertencem porque é aos seus proprietários que compete tomar essas medidas. Mas é, atente-se bem, a lei que poderia permitir e facilitar isso - e que, para mim, deveria ser, ainda, mais abrangente - o que ele critica tão feroz e demagogicamente.
É o que temos, dirão alguns. Pois, mas assim não vamos lá

domingo, 19 de julho de 2009

Hoje falamos de: não falamos, gritamos: O TERRENO ESTÁ LIMPO

Antes

Agora





Passei há dias nos terrenos do parque desportivo e nem queria acreditar. O terreno está completamente limpo do entulho. Para onde ele foi tranferido não sei, mas que já não está naquele espaço, isso eu vi com estes que a terra há-de comer, (que seja tarde). Foi um trabalho rápido discreto e até se pode dizer, bem feito. Eu diria que quase se pode comer no chão.
Daqui endereço os parabéns, aos funcioários que executaram o trabalho.

Mesmo podendo ser acusado de partidarizar o post tenho que admitir que a intervenção do deputado José Carlos Coelho do PS que abordou este tema, na Assembleia Municipal, do dia 26/06, terá sido decisiva neste final feliz. Parece que o aproximar das eleições esta a despertar em Litério Marques, sentimentos ecológicos muito oportunos. Melhor dito:oportunistas.
A ver vamos o que se seguirá.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hoje vamos falar de: Um suave perfume



Caminhar à noite é um dos meus prazeres e, parece, de muita gente.
No silêncio e tranquilidade que nos envolve, só perturbada por um ou outro carro que passa cheio de pressa, tudo parece diferente. Esquece-se o trabalho, os impostos para pagar, a conta da creche, as propinas, as negativas dos filhos, a vassoura fenómeno que dispara bagos de chumbo, as desavenças e traições no PSD, os requerimentos do deputado que não resolvem nada… e mais uma quantidade de inutilidades que nos ocupam o dia.
Mas não há, infelizmente, em Anadia, muitos locais onde se possa fazer, com segurança, uma caminhada nocturna reparadora, seja por falta de iluminação, seja por falta de bermas arranjadas ou passeios. Por isso vemos tanta gente amante deste prazer/desporto que, por falta de condições mínimas para tornar os percursos seguros, se obriga a envergar coletes reflectores, que certamente não vestiriam se não temessem pela sua integridade física.

Porque o meu conceito de prazer não inclui vestir um acessório de trabalho, escolho um dos poucos locais onde ainda não é perigoso andar, de noite, sem ele: a Curia e a sua avenida.
Todavia, mesmo aqui, o “torpor idílico” da caminhada é frequentemente interrompido pelas irregularidades do passeio. Mas, isso, eu dou de barato. Agora o “perfume” que irradia das ribeiras que a avenida atravessa, particularmente da mais próxima do Palace?!...Isso, sim, põe-me mal disposto e “tira-me do sério”porque, qual bofetada, desperta -me para a triste realidade de quão pobre continua a ser a sensibilidade ambiental desta câmara.
Nem a estância turística de excelência do concelho, lhe escapa.
Quando é que isto acaba?

domingo, 28 de junho de 2009

Hoje vamos falar de: Pequeno apontamento sobre Michael Jackson


Tenho que confessar que não fui, nem sou, um grande fã de M. Jackon. Todavia, nem zaratustra nem o Anadia tem voz podem ficar indiferente ao desaparecimento desta figura tão marcante, para milhões de pessoas e para o panorama musical mundial.
Homem de personalidade controversa, a quem atribuem o melhor e o pior, surpreendeu-nos de facto, com atitudes quotidianas que alguns consideram reveladoras, apenas, de imaturidade e outros de puro e duro calculismo mediático. Seja!!
Profissionalmente, porém, ninguém pode negar que foi inovador e senhor de uma genial irreverência e capacidade artística.
Tenho a certeza que M. Jackson deixou uma assinatura impossível de imitar e uma recordação que perdurará para além dos tempos, mesmo naqueles que, como eu, não o apreciam.

Aqui fica, pois, a nossa homenagem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Hoje vamos falar de: Câmara Municipal versus Ambiente












Local: zona anexa ao parque desportivo do Montouro
Autor e proprietário: Câmara Municipal de Anadia
Ensinamento: como eu não digo nada, faz o que eu faço


O que vemos nesta foto é, indiscutivelmente, um mau exemplo.
Nunca será possível, perante a reiterada indiferença deste executivo pelas consequências ambientais de actos como este, desencadear nas pessoas comportamentos que, em vez de agredirem, preservem este bem comum, único e insubstituível que é o planeta onde vivemos.
Não admira pois, que a taxa de separação do lixo neste concelho não atinja os 6%
Não admira também que os caminhos florestais sejam transformados em lixeiras.
Não admira que juntos dos contentores nauseabundos sejam despejados, colchões, sanitas e outras estranhas vitualhas.
Não admira que se continue a despejar no saneamento - onde o há – o óleo alimentar usado.

E o que poderia a Câmara fazer para além de dar o exemplo?

1 - Alugar contentores e distribuí-los pelas freguesias, para recolha de “monstros”
2 – Promover campanhas de sensibilização para fomentar uma maior separação nos resíduos sólidos urbanos e uma maior consciencialização ambiental
3 – Transferir os entulhos que produz para depósitos legais.
Dir-me-ão que tudo isto custa dinheiro! É verdade! Mas, se hoje não pagar quem deve, amanhã pagaremos todos e, como dizia a minha avó, “com língua de palmo”

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Hoje falamos de: Tiananmen

A geração dos anos 40/50, a chamada do “Baby Boom”, por ter nascido no período imediato ao fim da II Grande Guerra em que houve uma “explosão”de nascimentos – é fácil compreender porquê – tem tido o privilégio de assistir a importantes acontecimentos, que não deixaram ninguém indiferente. Uns marcaram pela positiva, outros, verdadeiramente lamentáveis, pela negativa. Todos foram, porém, portadores de ensinamentos inigualáveis. Por isso, sem querer tirar a importância a algum deles, refiro, apenas, aqueles em que a juventude teve maior relevância, nas lutas contra regimes conservadores e autocráticos de direita ou ditatoriais e repressivos de esquerda. Lembro, a propósito, Maio de 68, em França, lembro Setembro de 69 em Portugal, lembro Abril de 74, em Portugal, lembro, particularmente, Junho de 89 na China.
Era o dia 3 de Junho, Sábado, do ano de 1989, passaram-se, apenas, 20 anos – quando já no nosso país a nossa juventude usufruía da liberdade por outros conquistada – que milhares de jovens chineses, a maioria estudantes, se juntaram na mítica Praça de Tiananmen, em Pequim, protestando contra a ditadura pedindo, apenas… democracia. Estavam de mãos vazias contra um regime comunista, com uma “escola” de repressão e violência criada por Mao Tsé Tung.
Estavam de mãos vazias, disse, mas exigiam uma arma, que de bélico não tem nada, mas cujo efeito pode ser devastador. A arma do voto pessoal e secreto.
Mas, esta arma o regime comunista não estava disposto dar. Em vez dela mandou tanques e soldados armados com metralhadoras, que os estudantes, de mãos vazias, enfrentaram oferecendo a vida. Milhares de vidas. Quantas? Parece que ninguém sabe, ou melhor, ninguém quer saber, nem cá e muito menos lá, porque o regime comunista chinês ameaça e reprime de forma violenta mas subtil, destruindo as carreiras profissionais ou internando em clínicas psiquiátricas, como é prática dos regimes comunistas, quem tem a ousadia de recordar o massacre.
Incomoda pensar que, há apenas 20 anos atrás, enquanto milhares de jovens trocavam a vida por um voto, já nós malbaratávamos a nossa possibilidade de o usar. E hoje, invocando os mais disparatados argumentos, essa propensão para o desperdício do voto continua a verificar-se. Mais do que uma pena, é uma imoralidade